Arquetipos e Imagens Universais

E a tarde na foto desbotou. Virou verão de janelas abertas e cheiro de lençol secando ao sol. Guarda-roupas mudam de tom. Cadeiras abraçam em novos formatos. Lembranças são tais que quebram e conquistam.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Hoje Senti Verão


Hoje senti verão. Fui descalça até a calçada de bouganville da vizinha. Aquelas pontas flamejantes contra o céu azul perfeito estavam irresistíveis. Fotografei me tranformando em vermelho, brisa e luz.

28 de janeiro de 2012, 21h41





sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Frouxa Fuga

Em sua frouxa fuga pensou cair,

mas não houve queda.

2011 foi um ano rápido, mas que não passou depressa. A rapidez residiu na correria energizante entre aulas na pós-graduação, pesquisa e leitura para a monografia e a organização da exposição das fotos. Agora neste mormaço calmo que se aperta entre um ano e outro me sinto como se flutuando entre o passado e o futuro. Essa inatividade é agridoce. É bem-vinda após a finalização dos trabalhos, porém me lança inquieta nesse esperar para ver.

Nessa flutuação sem rumo certo ando de um lado para outro como alguém impaciente a espera do próximo ônibus. Gasto as solas e não vou a lugar algum. Troquei os lençóis da cama, as fronhas dos travesseiros e mudei a cama de lugar. Janeiro é de dias ensolarados e para imaginar como o pé de flamboyant em frente ao terreno da estação de rádio ficaria lindo em uma fotografia. O pé de bouganville da vizinha sob a luz do meio da tarde também pede uma foto. Não faço nada e entre essas árvores em chamas continuo flutuando entre cochilos.

Em um desses sonos desnecessários veio à mente desligada essa partícula de poema que escrevo meio epígrafe. Não fui de 'derrière' ao chão nesse ano que passou. Não tropecei em meio a correria. Fiquei de pé. Agora que me sentei para folhear álbuns com fotos antigas e experimentar sapatos novos me dei conta que só viro a cabeça para o vermelho: flamboyants e bouganvilles. Minha cor favorita é azul.

Estou entediada. Não vejo a hora de me levantar.

2012....esse ônibus que não chega.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Na madrugada com o Photoshop

O sono não chegava e com a cabeça tão acessa como uma lâmpada lancei-me a brincar com uma foto preto e branco postada no Facebook. Photoshop noite à dentro dá nisso.


Original



Recuperada




Vítima das visões de uma designer gráfica com insônia:






















sexta-feira, 15 de abril de 2011

Antônia

Poema


Não abriu os olhos ainda,

Mas sabe que amanheceu.

Inspira profundamente,

ato espontâneo, normal,

mas que diferente de outras vezes,

faz sentir-se bem, mas de um jeito melhor.

Sabendo, sem saber, que tudo vai dar certo.



Com mãos além das mãos

vai e abre a primeira janela

e de assalto tomando o coração

escancarado se estende o mais

perfeito dos dias.



É a placidez a procura de uma

certa palavra, uma determinada

cor, pois quer falar e vestir-se

para passear.



19h42

15 abril 2011

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O melhor dia de todos os dias

Poema


Ametista de líquido perfeito

onde se banham os sonhos

capturava em transe a todos

que ousavam olhar.


Todos os caminhos verdes

curvavam-se entre si

desenhando estranho e

harmonioso escuro.


Era o último de todos os lugares

onde pés vivos moveriam

a paz azul turquesa.


Enfileiradas, todas as formas de tristeza

construíam a entrada para

o ingresso de suspiros gêmeos.


No melhor dia de todos os dias

o Sol deslizava pelas folhas

e a brisa secava devagar

os cabelos molhados.


Braços flutuantes doíam com

a ausência pavorosa de todas as

pessoas que não sabia, mas amava.


Foi neste paraíso solitário

que a recusa do ar

enfim calou Eco.

domingo, 3 de outubro de 2010

Para a brisa

Poeminha

(English Version on the comments' space)

Vai a moça e ficam as cores

Esquece pensando na chuva

Estas curvas molhadas de asfalto

doente não incentivam a viagem.









Correta concentração

nos semáforos

Vidro e luzes contam

o que ninguém quer ouvir

Guarda a cabeça que fica

presa ao meio-dia.


O dia longo no redemoinho

de segundas vias

convidam suspiros invertidos

de pura exaustão.

Eu deveria ter ido ao banheiro

antes de fechar o portão.


05.abril.2010 -19h50

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Antes que eu esqueça

Poema
















Memória marcada pela caneta,

meio estranho de palavras comuns.

Voltas sem retorno às horas passadas,

vagar furtivo em imagens que não estão mais.


A caçula cresceu,

A do meio casou.

Um José se foi,

Um José chegou.

Uma mãe tornou-se avó

e a tarde na foto desbotou,

virou verão de janelas abertas

e cheiro de lençol secando ao sol.

Guarda-roupas mudam de tom,

cadeiras abraçam em novos formatos.


Lembranças são tais que quebram

e conquistam.

Apertam e lançam ao ar

beijos, assobios,

cabelos, folhas

e danças.


06.março.2010 - 21h00